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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Meu Diário 17 de Setembro de 2020

Hoje, depois de alguns dias, voltei aqui... Estava lendo o livro " A última Carta" de Jojo Moyes... 

Uma fuga para esses meus pensamentos tão intensos... Esta Pandemia que nos "paralisou" também contribui para que não consiga ocupar minha mente com outras coisas que não seja você.  Mas, eu tô tentando.... Fiz esta promessa pra mim mesma e estou me esforçando...Acontece que você já faz parte de muitas coisas em minha vida. É um cheiro, uma palavra, um gosto, uma música, uma arte, um chá, uma risada, uma emoção, uma cor vibrante, um objeto, TUDO, lembra você...

Os meninos perguntam sobre e por você... Eles sentem falta de ouvir minhas risadas quando falávamos pelo zap...  Eu ainda não estou " resolvida" com você e nem sei se vou...Porque  não depende só de mim e, pelo visto, você não quer ou já deu por encerrado tudo isto porque me bloqueou novamente no telefone... ( Você não faz ideia de como isto me angustia). E, mais uma vez a sensação que me causa é de que "Decidem" tudo por mim. É certo que não posso forçar uma presença, nem a minha nem a do outro, mas, quando "abandonam, rejeitam ou excluem", já estão decidindo, certo?!  Se você simplesmente me exclui também perde a oportunidade de saber se estou "mudando" com a situação, se estou aprendendo, evoluindo, melhorando.... Você nunca saberá se eu continuei "forçando" ou se "deixei ir"... Daí, concluo porque a depressão é um mal que só cresce.... Estamos doentes e adoecendo as pessoas ao nosso redor. Não estou falando isto pra você ou pra mim, mas, é o que acontece com a maioria das pessoas. Somos maus. somos egoístas, somos orgulhosos... Quando não estamos satisfeitos com alguma coisa ou algo não nos serve mais, simplesmente os descartamos das nossas vidas... Sem ao menos tentar, sem dar uma chance, sem buscar uma solução satisfatória para ambos. E daí usamos os velhos clichês: " são ciclos, uns vem outros vão, ninguém é pra sempre, faz parte da evolução, é livramento.... e por aí vai. 

A única que tem "autorização para tirar" sem aviso prévio é a morte. Volto a repetir, NINGUÉM,  é  obrigado a ficar na vida do outro, mas, uma vez que você chegou, entrou e tocou o coração de alguém, você tem que ter um mínimo de decência ao querer sair. Acho de uma covardia enorme uma pessoa sair da vida do outro sem avisar, sem conversar, sem deixar o outro ao menos se despedir.... Sei que há casos e casos( e para alguns a melhor coisa a fazer é sair e deixar tudo para trás mesmo), mas, estou falando do meu caso, das coisas que me tem acontecido...

Sinto-me violada, defraudada, roubada de mim mesma.

 Sei que o que nos aconteceu foi algo tão bobo que poderia ter sido resolvido numa simples conversa, mas, eu fui negligente e você foi impulsiva. Eu despertei seu ódio e você não vacilou em destilar este sentimento ruim aos quatro cantos. Resolver esta situação de modo honesto implicaria em limpar toda a lama que foi jogado em mim, certo? Implicaria também o meu comprometimento em não "invadir" sua vida... Respeitar todos os limites... Parece fácil, mas, eu sei que não é... E o que me entristece é que Nem TENTAMOS.

Sabe o que posso dizer hoje é que  ainda estou doída, mas entendo que, não posso parar minha vida esperando que você "reconheça" o que fez comigo. É claro que é o que quero, mas, já não tem toda aquela importância do início.

Eu não vou sair de onde estou: você tem meu contato e até meu endereço...  Na verdade, você tem o meu coração...  e se quiser pode "voltar" pra mim, pra nós... (enquanto estamos vivas ainda temos tempo). ... 

Sempre estarei aqui e te espero se você quiser, mas, não posso ficar parada... Tenho um coração gigante em amor e tem muita gente que daria tudo pra ter de mim a metade da atenção e desse amor genuíno que eu dei pra você... (Quando eu era criança, Thereza  sempre dizia  isto quando eu reclamava que alguma coleguinha não queria brincar comigo). E é isto...

Meu “coração” bobo" continua o mesmo... Se você voltar tudo bem... Se não voltar, tudo bem também! Estou falando isto com toda a sinceridade que há em mim (e com todas as lágrimas também) Eu fiz (e estou fazendo) a minha parte... Minha consciência tem paz.  Acho que é isto...

Por hora,  Tenho trazido à memória as coisas boas que vivemos: As trocas, as confidências, os choros, as gargalhadas, as intimidades e até os conselhos que eu sei que foram todos muito bons.  Não posso negar que tivemos momentos maravilhosos e até confesso "Nunca fui tão feliz"... 

Não quero esquecer a "pessoa" que conheci...  Não quero que esta "pessoa tão cheia de raiva de  mim" seja MAIS FORTE que a "pessoa boa" que até alguns meses atrás chamei de mãe.

Independente do que nos aconteça agora ou amanhã, quero pensar ou lembrar-me de você sem o peso, sem a amargura, sem a decepção...

 Porque meu coração não merece cultivar esses sentimentos e, por tudo o que vivemos, eu não posso ACREDITAR que em você só restou desprezo por mim.

 

Scheilla Lobato

 

 

 


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